Investidores dos EUA entram com ação coletiva contra a JBS e seus principais executivos

São solicitadas compensações financeiras por prejuízos que os investidores registraram pela aquisição de ações da companhia no exterior, sobretudo após a Operação Carne Fraca

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Foto: Chello|Framephoto

Investidores estrangeiros protocolaram na quinta-feira, 23, uma ação coletiva contra a JBS e dois de seus principais executivos, solicitando compensações financeiras pela aquisição de ações da companhia no exterior (as chamadas ADRs), motivados pela Operação Carne Fraca da Polícia Federal.

O documento, que foi protocolado pela Leonforte Holdings na corte do distrito leste de Pennsylvania, nos Estados Unidos, cita Wesley Mendonça Batista, vice-presidente do conselho de administração da companhia, e Gilberto Tomazoni, presidente global do negócio de aves da dona das macas Friboi, Seara, Swift, entre outras.

A JBS é suspeita de participar de um esquema de corrupção de fiscais para permitirem a venda de carne adulterada. Os advogados demandam que o caso seja levado a julgamento.

Os investidores que fazem parte da ação compraram ADRs da JBS entre 2 de junho de 2015 e 17 de março de 2017. A ação conjunta, ou class action, como é conhecida nos EUA, aponta que os preços destes ativos financeiros foram “inflados artificialmente” de forma deliberada pela companhia, por Batista e Tomasoni.

“Executivos da JBS pagaram propinas para reguladores e políticos para subverter inspeções de alimentos de suas fábricas e a supervisão de práticas sanitárias, como o processamento de carne podre e dirigir plantas com rastros de salmonela”, aponta a ação conjunta. “De acordo com autoridades brasileiras, a JBS ‘não se importava sobre a qualidade da carne ou alimentos'”. E o documento enfatiza que “os acusados falsificaram documentos relativos a exportações para Europa, China e Oriente Médio.”

Neste contexto, a ação conjunta aponta que as informações prestadas pela companhia e seus principais executivos enganou o juízo dos investidores, o que provocou perdas financeiras substanciais.
Procurada, a JBS não se manifestou até a publicação dessa nota.

Tramitação. A ação conjunta pode levar de dois a quatro anos para ser julgada, com base em casos semelhantes analisados pelo poder judiciário americano, comentou ao Broadcast Phillip Kim, sócio do escritório de advocacia Rosen Law Firm, que defende os investidores. “Mas o tempo exato que levará não é possível precisar neste momento”, apontou.

“Trata-se de uma ação forte e acreditamos que tem todas as condições para vencer na Justiça, dadas as evidências expostas na ação, que tratam de atividades de corrupção que provocaram expressivos prejuízos financeiros aos investidores”, comentou Kim.

De acordo com Kim, investidores que ainda não aderiram à ação conjunta, mas desejam fazê-lo a partir de agora, poderão agregar seus pleitos até 22 de maio. Após esse prazo, ocorrerão as deliberações da Justiça que pode inclusive não aceitar a ação. “Contudo, nesta hipótese, os investidores poderão mover uma outra ação baseada inclusive em novas revelações das investigações que estão agora em curso pela Operação realizada por autoridades no Brasil”, comentou.

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