Hoje iremos falar sobre diversificação de investimentos, e a boa diversificação está voltada para técnicas visando uma redução de riscos através de alocações em diferentes investimentos, que podem ser em setores, classes ou categorias distintas.

Resolvi dividir este texto em duas partes, sendo que na segunda irei abordar a seleção individual de ações, visando uma melhor diversificação. Por serem assuntos complementares, e para o texto não ficar muito longo, resolvi dividir em duas partes, sendo que o tema seguinte a Seleção de ações.

– Porque diversificar investimentos?

Recentemente o mercado foi surpreendido com a suspensão das negociações na bolsa do fundo imobiliário MFII11, pela CVM – Comissão de valores mobiliários.

A CVM é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazendo do Brasil, e tem como função fiscalizar as atuações no mercado de valores. A CVM alega ter encontrado indícios de fraudes nos balanços do fundo MFII, que por sua vez tem de apresentar provas documentais de que não cometeu tal fato. Até a decisão final da CVM, o fundo segue sem negociação de suas cotas na bolsa, até para proteção do investidor. Tal fato evidencia a necessidade de uma carteira bem diversificada, visando diluir os riscos aos investidores.

– Tipos diferentes de diversificação

O primeiro nível de diversificação deve ser realizado dentro das diferentes categorias de investimentos.

Basicamente, teríamos duas categorias, renda fixa (CDB, LCI, LCA, Tesouro Direto,…) e renda variável (fundos imobiliários, derivativos, moedas e ações). Em termos gerais, a renda fixa proporciona uma menor rentabilidade, porém com menos riscos, ao passo que na renda variável teríamos um maior potencial de retorno, com um maior risco. A diversificação dentro destas categorias depende muito do perfil e idade do investidor.

Uma pessoa com um perfil mais “agressivo”, e que ainda esteja na idade jovem-adulta, pode montar um patrimônio aplicado 100% em renda variável, diversificando entre ações e fundos imobiliários por exemplo. Mas para tal carteira, a diversificação dos ativos escolhidos teria de ser muito bem elaborada, e ciente da maior volatilidade que isso traria. Como esta diversificação dentro da renda variável é de vital importância, vou focar este texto na diversificação dentro da classe de ações na renda variável.

– Métodos para diversificação em ações

Graham cita em seu livro O Investidor Inteligente, que para um investidor que tenha um perfil mais “defensivo” em ações, para este enfatizar a diversificação mais do que a seleção individual de ações.

Graham é um dos maiores nomes na Análise Fundamentalista, e um dos maiores defensores da diversificação, indicando inclusive para o investidor se posicionar no índice da bolsa, visando uma grande diversificação de ações.
Já Buffett tem a seguinte frase: “Diversificação é a proteção contra a ignorância. Faz muito pouco sentido para aqueles que sabem o que fazem”.

Em diversos artigos e vídeos Buffett se posiciona contra uma grande diversificação de ações, incluindo também este aqui: “Se alguém tem 50 papeis, será que ele gosta tanto da quinquagésima do ranking, quanto ele gosta da primeira colocada? É possível ele conhecer as duas tão bem? Eu acho que não.”

Warren-Buffet

Inclusive em uma palestra em 1998 chegou a citar que 6 ações diferentes seria um número ideal para se investir. A sua empresa, a holding Berkshire Hathaway, com valor de mercado de quase 400 bilhões de dólares, possui em seu portfólio mais de 50 ações. Como então as falas de Buffett são comparadas com duas atuações a frente da BK? Aqui abaixo vou dar minha opinião sobre o assunto.

– O quanto diversificar?

Onde investir seu dinheiro

Acredito que a principal ferramenta que determina o quanto de ações o investidor deve diversificar, depende muito do valor investido. Buffett administra um capital na casa dos bilhões, por isso tem que diversificar muito.

A sua fala recomendando 6 ações seria para o pequeno investidor. Ou seja, uma pessoa que está começando agora a acumular capital, com um investimento abaixo de 60 mil reais, não teria sentido fazer uma grande diversificação. Neste caso poderia comprar 6 ações, de setores diferentes (abordarei melhor este assunto na segunda parte da matéria), que já estaria fazendo uma boa diversificação. Ao passo que um investidor com 600 mil reais já necessita de uma diversificação bem superior, talvez algo como 12 a 15 empresas.

Concluindo, a diversificação é de extrema importância para ter sucesso no longo prazo no mercado. O quanto diversificar vai estar muito atrelado ao tamanho do seu capital aplicado, onde um capital pequeno não necessita de uma grande diversificação, ao passo que capitais maiores necessitam cada vez mais de uma maior diversificação.

Leia também a primeira parte deste arquivo: Diversificação de investimentos – Parte 2

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